Quem nunca passou pelo perrengue de ficar sem sinal da operadora móvel justamente quando precisava fazer uma ligação importante? Para resolver esse gargalo de cobertura, a tecnologia VoWiFi (Voice over Wi-Fi) tem se consolidado como uma solução essencial. Desenvolvido para permitir chamadas de voz através de redes sem fio, o recurso é uma “mão na roda” quando o celular está em locais com instabilidade de rede móvel, mas onde há uma conexão de internet fixa disponível.

O funcionamento é engenhoso, porém transparente para o usuário: o aparelho utiliza o sinal de Wi-Fi para criar um túnel seguro com os servidores da operadora. A partir daí, a chamada é completada normalmente. Um dos grandes trunfos dessa tecnologia é a qualidade de áudio. Como a transmissão de dados via fibra óptica ou banda larga costuma ser mais robusta que o sinal de rádio 4G em áreas de sombra, a voz tende a sair limpa, nítida e sem ruídos. O recurso já é compatível com as principais fabricantes, como Xiaomi, Motorola, Apple e Samsung, além de operadoras como Vivo e Claro.

Como ativar e custos envolvidos

Embora a disponibilidade dependa de um modelo de smartphone razoavelmente moderno, a ativação é simples. Na maioria dos aparelhos, basta acessar o aplicativo de chamadas, ir até as configurações (geralmente no menu de três pontos ou “Ajustes”) e habilitar a opção “Chamadas Wi-Fi” ou “Wi-Fi Calling”. Feito isso, o sistema priorizará essa rota sempre que o sinal tradicional falhar.

De modo geral, as chamadas via VoWiFi não geram custos adicionais, sendo descontadas do plano de minutos convencional do usuário. No entanto, a recomendação de ouro permanece: consulte sua operadora para confirmar a gratuidade e evitar surpresas na fatura, além de verificar se o seu plano específico contempla a funcionalidade.

A infraestrutura do futuro: A virada do Wi-Fi 7

Enquanto o VoWiFi otimiza o uso das redes atuais, a infraestrutura que sustenta essas conexões está prestes a dar um salto evolutivo. Matt MacPherson, CTO da Cisco, aponta que 2026 poderá marcar o ponto de virada definitivo para a tecnologia Wi-Fi 7. Embora o padrão esteja no roteiro da indústria há anos, a adoção em massa vinha ocorrendo em um ritmo mais lento do que o esperado, especialmente nos Estados Unidos. Agora, segundo o executivo, as condições de mercado, a prontidão técnica e a demanda dos clientes finalmente se alinharam.

O primeiro grande motor dessa mudança é a maturidade dos dispositivos. MacPherson explica que, se em 2025 a compatibilidade com Wi-Fi 7 estava restrita aos topos de linha de marcas como Apple e Samsung, hoje a tecnologia se democratizou. Ao comprar um laptop novo atualmente, por exemplo, é mais provável que ele já suporte o novo padrão do que o contrário.

Superando a confusão do mercado

A Cisco observa também um ciclo de atualização necessário. Mais de 40% da base de clientes da empresa ainda opera com o antigo Wi-Fi 5, o que indica uma infraestrutura defasada. MacPherson admite que o lançamento do Wi-Fi 6E trouxe certa confusão ao mercado, deixando consumidores em dúvida se deveriam fazer um upgrade intermediário ou aguardar a próxima geração completa. O Wi-Fi 7 chega para dissipar essa incerteza, posicionando-se como a escolha clara e robusta para o futuro.

Confiabilidade e novos horizontes

O que torna o Wi-Fi 7 a geração mais confiável até o momento são recursos técnicos avançados, como a Operação Multi-Link (MLO). Essa funcionalidade permite que dispositivos utilizem múltiplas bandas simultaneamente, escolhendo dinamicamente o melhor caminho para os dados, além de aprimoramentos em OFDMA e MU-MIMO para uma alocação de recursos mais eficiente.

Para o usuário final, isso significa sair da “sopa de letrinhas” das siglas técnicas para uma experiência prática de conexão determinística e estável. Com essa robustez, o Wi-Fi 7 não apenas suporta o crescimento da demanda por dados, mas expande os casos de uso possíveis, permitindo aplicações que antes eram inviáveis. O mercado está, finalmente, alinhado para um grande “boom” de conectividade ainda este ano.