Uma mudança de peso nos bastidores da indústria A Leica acabou de soltar uma novidade que mexeu com o mercado de smartphones. A icônica fabricante alemã de câmeras anunciou que a nova geração do seu Leitzphone será produzida pela Xiaomi. Essa decisão marca o fim de uma era com a Sharp, que foi a responsável por fabricar todas as três gerações do aparelho ao longo de uma parceria que durou de 2021 a 2024. A revelação veio a público de forma discreta, através do Instagram. Uma postagem com a marca “LEICA LEITZPHONE” trazia a frase “Powered by Xiaomi” logo abaixo, deixando bastante claro quem está no comando da montagem a partir de agora. Quem acompanha o mercado sabe que esse movimento não surgiu do nada. As duas empresas já possuem uma colaboração sólida, e o Xiaomi 14 Ultra lançado anteriormente já trazia uma fortíssima integração com a marca alemã, incluindo o modo de imagem “Leica Moment” focado na estética autêntica das câmeras europeias e inscrições da Leica em seu chassi.

O que muda no design do novo aparelho Visualmente, o novo Leitzphone lembra bastante uma variante internacional do Xiaomi 14 Ultra, mas traz algumas particularidades bem específicas. O logotipo da Leica, por exemplo, agora fica posicionado na vertical, ao contrário do alinhamento horizontal que vimos no modelo da gigante chinesa. Essa mesma orientação vertical foi adotada para a inscrição da marca dentro do próprio módulo de câmeras. O painel traseiro também passou por reformulações, abandonando o estilo em dois tons para adotar uma cor sólida em toda a sua extensão. Ainda é um mistério qual material foi escolhido para essa traseira, já que a empresa guardou esse detalhe e não divulgou mais informações. O que sabemos com certeza, graças às marcas d’água de fotos vazadas, é que o modelo se chamará mesmo “LEITZPHONE” e fará questão de exibir que sua engenharia é movida pela Xiaomi.

O poder de fogo brutal do Xiaomi 15 Ultra Para entender exatamente o motivo de a Leica ter escolhido a Xiaomi para essa nova fase, basta olhar para o que a marca chinesa consegue entregar hoje em termos de hardware bruto. O recém-lançado Xiaomi 15 Ultra é o exemplo perfeito dessa capacidade técnica. O aparelho é um verdadeiro monstro de processamento. Rodando o sistema operacional Android 15 sob a nova interface HyperOS 2, o smartphone vem equipado com o avançado chipset Snapdragon 8 Elite de 64 bits. A arquitetura impressiona pela velocidade, combinando dois núcleos Oryon Prime trabalhando a 4.32 GHz com seis núcleos de performance a 3.53 GHz. Todo esse motor ganha o apoio da GPU Adreno 830, de generosos 16 GB de memória RAM e inacreditáveis 1024 GB de armazenamento interno, sem opção de expansão.

Uma tela e bateria construídas para durar A experiência visual e a autonomia também acompanham o nível altíssimo de exigência do mercado atual. O smartphone ostenta um display LTPO AMOLED de 6.73 polegadas com resolução de 1440 x 3200 pixels, entregando uma densidade altíssima de 521 ppi. A fluidez é garantida pela taxa de atualização de 120 Hz, com um painel capaz de reproduzir mais de 16 milhões de cores e protegido pelo resistente Xiaomi Shield Glass 2.0. Para dar conta de tudo isso, a empresa desenvolveu uma bateria gigante de 6000 mAh com tecnologia de silício-carbono. Mesmo pesando 226 gramas e possuindo dimensões de 161.3 x 75.3 x 9.35 mm, o corpo do aparelho oferece resistência à água e abriga uma rede completa de conectividade. Ele suporta dois chips Nano SIM em dual stand-by, redes 5G que prometem velocidades teóricas de download de até 10000 Mbps, além do moderno Wi-Fi 7, Bluetooth 6.0, NFC e até comunicação via porta infravermelha. A navegação também é um ponto forte, contando com sensores como giroscópio, barômetro, leitor de impressão digital e um sistema de localização que integra GPS, GLONASS e Galileo.

O ápice da fotografia no bolso Falando em câmeras, o conjunto óptico do 15 Ultra ajuda a explicar por que uma marca tão purista quanto a Leica confiaria seus projetos à Xiaomi. Estamos falando de um sistema traseiro quádruplo que foge dos padrões comerciais comuns. A configuração conta com três potentes sensores de 50 Mp e uma impressionante lente de 200 Mp. O tamanho dos sensores varia bastante, garantindo excelente captação de luz com aberturas de F 1.63, F 1.8, F 2.6 e F 2.2, entregando fotos em resoluções de até 8165 x 6124 pixels. O foco automático aliado à estabilização ótica e ao zoom ótico de 4.3x garante versatilidade para qualquer cenário fotográfico. A capacidade de vídeo é igualmente absurda. O celular grava em 8K UHD a 30 quadros por segundo, possui um modo de câmera lenta que chega a 1920 fps e captura áudio estéreo de alta qualidade com redução de ruído. Na parte frontal, uma câmera de 32 Mp dá conta de selfies super detalhadas e vídeos em 4K a 60 fps, completando o pacote de imagens do dispositivo.

O futuro promissor da parceria Tudo isso converge para a data de lançamento oficial do novo Leitzphone, marcada para o dia 28 de fevereiro. É nesse momento que conheceremos todos os detalhes técnicos específicos e os valores cobrados pelo aparelho. O smartphone deve aparecer logo em seguida no site da própria Leica, tornando-se o primeiro dispositivo fabricado pela Xiaomi a ganhar esse espaço, já que as colaborações anteriores ficavam restritas ao site da marca chinesa. Do ponto de vista estratégico, a troca de fornecedores faz todo o sentido do mundo. A Sharp entregava ótimos aparelhos, mas nunca teve um alcance de mercado significativo. A Xiaomi produz milhões de dispositivos por trimestre, possui uma cadeia de suprimentos imbatível e domina a manufatura em larga escala. Agora, a grande questão que fica é se a Leica vai manter o posicionamento de luxo extremamente caro e exclusivo da era Sharp, ou se vai usar a capacidade de produção da Xiaomi para tornar o Leitzphone um pouco mais acessível para um público maior de apaixonados por fotografia.